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Quarta-Feira, 16 de Setrembro de 2009

Executivos da SCM Group Tecmatic Brasil falam sobre fusão, mercado e perspectivas até 2011

SCM Group Tecmatic Brasil investe em tecnologia, assistência técnica e aposta no fortalecimento da economia nacional para crescer 

A aposta num mercado nacional aquecido nos próximos dois anos, principalmente pelo aumento do poder de consumo das camadas mais pobres, combinado com investimentos em tecnologia e relacionamento são algumas das fórmulas para o sucesso que os principais executivos que comandam a operação da SCM Group Tecmatic Brasil, o diretor executivo Marcos Antonio Muller e o diretor mundial da divisão de produtos Premium da SCM Group, Roberto Cesari, destacaram em entrevista exclusiva ao Portal Moveleiro realizada no último dia 11 de setembro, em São Bento do Sul (SC).

No dia do encontro, também foi realizada a última etapa do inédito Open House, evento tradicional na Europa e, que agora chega ao Brasil, como parte das ações de relacionamento e fortalecimento de marca do grupo italiano SCM – maior fabricante mundial de máquinas para móveis – e sócio da catarinense Tecmatic.

Durante a entrevista, os executivos destacam os diferenciais de se fazer negócio no Brasil, a sazonalidade das feiras e das vendas de máquinas, incluindo aí o potencial de crescimento de setores como móveis sob medida e marcenaria em escala. Para finalizar, o executivo mundial da SCM, Cesari, reconhece a ética brasileira ao negociar e que a Europa, para crescer novamente, precisará dar alguns passos para trás, mas sem perder o foco em sua tecnologia.



Portal Moveleiro - Por que vocês optaram por esse momento para a realização da Open House ?

Muller - Porque se você observar o calendário de feiras e eventos que existem no Brasil, nos anos ímpares, existe uma lacuna, principalmente no segundo semestre. Então, nós temos a FIMMA no primeiro semestre e, esse é um período que não tem absolutamente nada acontecendo. Também, isso motivou a realizar o Open House nessa época do ano. Outro motivo interessante é o aniversário da nossa cidade, um momento de comemoração, é aniversário da própria empresa, dia 2 de setembro ela completou 24 anos e também é um momento propício pela retomada da economia.

Essa questão de crise, bom, a gente fala com o pessoal da Itália, da Europa, e o Brasil é um dos últimos países a sentir e me parece que será um dos primeiros a sair. Isso também é interessante. Uma outra variável favorável ao evento é que há os recursos do BNDES, que estão sendo disponibilizados justamente agora, com financiamentos com juros de 4,5% ao ano, com período de carência, uma parte aquilo que você compra com capital de giro, você pode financiar uma parte a mais, o que é muito interessante nesse sentido.

PM - Qual é a importância da realização do Open House para vocês?

Muller - Isso já foi planejando há mais de um ano. O objetivo é mostrar ao mercado brasileiro o que é essa fusão da Tecmatic com a SCM, que passa a ser chamada de SCM Group Tecmatic Brasil. Essa sociedade, onde a SCM Group italiana passa a participar da sociedade brasileira em 50%, aconteceu em outubro de 2005. De lá pra cá aconteceram muitas mudanças. Em 2006, nós fizemos uma primeira apresentação de impacto, na ForMóbile (SP), fazendo um estande único das duas empresas. Na sequencia, nós apresentamos a FIMMA, em 2007, e 2008 novamente (SP), depois em 2009 na FIMMA.

Mas também, em 2009, pela primeira vez, nós estamos trazendo todos os pólos moveleiros, nosso público-alvo, para conhecer a empresa, para conhecer a Tecmatic, para conhecer a planta produtiva. O que é diferente de você ter simplesmente um escritório de representação comercial. Os clientes vem até aqui e eles encontram uma estrutura de empresa com 180 funcionários. Para mostrar ao cliente que temos uma ampla assistência técnica, uma estrutura de pecas de reposição, tem toda uma base que dá apoio na importação. É uma empresa de 180 funcionários que não vai desaparecer da noite para o dia.

PM - Como é o Open House em outros países?

Cesari - A ideia é semelhante da praticada aqui. A planta produtiva na Itália é um pouco mais complexa e normalmente os eventos são para mostrar lançamentos ou produtos inovadores. Nesse caso, não estamos apresentando tantas inovações, mas justamente uma organização industrial onde se percebe uma capacidade industrial e organizada. Não é uma estrutura que desaparece. Não investimos no Brasil porque o momento é bom, mas sim, está sendo feito e pode ser visto, justamente em um momento difícil.

PM - Como esse evento fortalece a marca no Brasil?

Cesari - Com esse evento se deixa claro toda a história da Tecmatic que o mercado conhece, de uma empresa que começou pequena a produzir máquinas de maneira artesanal e, que passaram a produzir um grande volume de máquinas, mas de maneira artesanal. Agora, se transformou em uma indústria, produzindo máquinas em larga escala. Demonstrando, através dos anos, com essa fusão, toda uma possibilidade, uma potência industrial.

PM - Quais são as expectativas pós-evento?

Muller - Temos muitas negociações que estão sendo concluídas durante o evento, mas muitos estudos que, até a maior parte, iremos trabalhar nas próximas semanas. Porque o cliente veio aqui, se interessou por algumas máquinas e algumas soluções...ele volta para a empresa dele e começa a analisar que tipo de resultado essa solução vai trazer para a empresa dele. E aí a equipe de vendas vai trabalhar nos próximos dias, em função de concluir essas negociações.

Até porque muitos dos clientes querem tirar proveito dessas máquinas ainda esse ano, o Brasil tem essa característica do momento alto da festa ser no final do ano. Aonde você vende o seu produto e faz o seu resultado. No início do ano tudo vai mais devagar, a gente diz que até terminar o carnaval, o Brasil ainda não ficou a todo vapor.

PM - O negócio de máquinas é muito sazonal?

Muller - Ele é sazonal e ainda diria mais. Você pode comparar os anos pares com anos pares e ímpares com ímpares. No nosso caso, em função de eventos FIMMA e ForMóbile, de grande importância. Se você reúne os gráficos isolados, você diz que não tem época no Brasil, não se repetem. Mas, quando se compara os pares e impares, você vê que existe essa sazonalidade e sem dúvida, de dezembro ate janeiro e fevereiro o pessoal está todo apreensivo, a economia do Brasil ainda não é uma economia madura, a gente tem sofrido mudanças a todo ano.

Nós vivemos um período inédito, sem inflação. Um outro período inédito para a nossa realidade é que a economia não depende mais da política, ela tem vida própria, ela pode acontecer. Ocorrem escândalos políticas e não se altera a economia.

PM - Essa sazonalidade (entre as feiras) está mais associada a máquinas de grande porte ou de médio e pequeno? Como é o impacto?

Muller - Uma característica de cada feira influencia. Se você fala da FIMMA, o público dela são médias e grandes empresas, sendo que agora eles também estão dando muita atenção para marcenarias e empresas menores. A ForMóbile é praticamente direcionada ao planejados, se bem que também tem uma boa participação das grandes empresas.

PM - E o impacto, é evidente?

Muller - É bem evidente. Você vê o pós-feira, porque se olhar a produção ela é constante, já que se produz X maquinas por mês porque é o seu limite. Mas já a venda não, num mês vende mais, no outro a equipe vende menos. Na feira vemos que o
comercial vende aí pra dois mês de pós-feira.

PM - Essa sazonalidade de linhas, na época que o grande esta mais retraído o pequeno gira mais ou igual? Como funciona?

Muller - As empresas pequenas não possuem planejamento estratégico definido porque trabalham contra pedido e não contra estoque. Tem muita empresa grande, pólo que ainda trabalha contra estoque. Ele vai lá, desenvolve um produto bonito, faz série de 100, 200 peças e depois busca vender essas peças. O marceneiro não. Isso em função do publico da marcenaria. O marceneiro acaba atendendo quem? A dona de casa, que quando coloca na cabeça que quer uma cozinha nova, ela não dá muita boa pro dólar ou crise. Mesmo que o marido dela conviva com isso, ele precisa atender.

Normalmente a realidade das marcenarias qual é? Eu estou terminando hoje aquilo que eu deveria ter terminado na semana passada. Se você procura as marcenarias aí, elas já estão até final do ano fechada. Se você quiser fazer um móvel sob medida ainda esse ano...não consegue.

PM - Quais são os motivos que levaram a SCM a optar pela fusão com a Tecmatic?

Cesari - O primeiro motivo é porque acreditamos no crescimento do Brasil e de uma maneira ou de outra decidimos investir. Após avaliar possibilidades, encontramos no Brasil pessoas nas quais podemos confiar (os sócios da Tecmatic). Eles, em contra-partida, também demonstraram confiança para com a Itália. Também pela relação de confiança delegada, dando a oportunidade de trabalho para mim, como o lado italiano e, ao Muller, na gestão aqui. Há uma ampla liberdade e transparência na comunicação, o que deu velocidade para este projeto.

PM - A marcenaria seria um setor sempre aquecido?

Muller - Um setor muito mais constante. Aconteceu ainda esse ano, de algumas regiões ficarem mais apreensivas e deixarem as compras para depois. Teve um período, justamente na metade do ano, onde nós tínhamos muitas negociações em aberto mas se percebia claramente que o medo de fechar a negociação. Nesse nível de marcenarias. É uma coisa inédita, eu não havia percebido ate então.

PM - Há alguma especificidade que vocês consigam atender melhor depois da fusão? Há melhor estrutura? As mudanças da empresa refletiram em melhores negócios?

Muller - Refletiu sim, porque antes dessa fusão a Tecmatic fazia o quê: atendia o máximo que podia, do pequeno ao grande. Com a fusão, a Tecmatic tem foco, nós buscamos produzir as máquinas que temos mais volume. Nós não vamos fazer um único modelo de uma máquina complexa. Porque já existem as empresas na Itália do Grupo e que tem volume, trabalhando em cima desse tipo de pedido. Nesse período, o Roberto Cesari, diretor da divisão Premium da Europa, está aqui no evento para conhecer o mercado e os clientes.

Mas estamos contemporaneamente realizando uma reunião de plano de desenvolvimento de produto, na qual nós estamos fazendo em parceria com a Itália. Tudo aquilo que fazemos hoje no Brasil é avaliado e trabalhado com a Europa. Nós temos, por exemplo, só na parte mecânica, 10 pessoas na engenharia. Para que não tenham soluções diversas para uma mesma necessidade, estamos integrando cada vez mais para que não desperdice esforço de ninguém e também que os grupos das maquinas que desenvolvemos sirvam para as maquinas italianas e vice-versa.

Dá para dizer que a Tecmatic foca mais a base da pirâmide, como produção nacional, com alguns modelos como lixadeiras e que nós fechamos o ciclo. Temos a gama completa, nas seccionadoras nós vamos ter até a máquina com mesa elevadora e, nas coladeiras, nós vamos fazer as máquinas com até 21 metros por minuto.

PM - O que a SCM Group estima para os próximos passos nessa integração entre Tecmatic, já que o processo de fusão esta bem sedimentado. Quais são os próximos passos?

Cesari - Nessa primeira fase que passamos, onde todo mundo se conheceu e as coisas começaram a acontecer, foi uma etapa interessante e de certa maneira mais fácil. Nesta segunda fase (atual), na qual falamos de uma integração mais complexa, de sistemas produtivos e de desenvolvimento de novos produtos, a comunicação terá que ser o ponto de força e não de fraqueza.

PM - Como executivo, o que você projeta para os mercados brasileiro e mundial até 2010
(ou 2011)?

Cesari - No Brasil temos uma perspectiva bastante otimista, principalmente pelo crescimento do País e pelas mudanças econômicas, um crescimento de uma faixa que era muito pobre e, pelo pouco que ela enriquece, fará com que muitas marcenarias apareçam e cresçam. E muitas marcenarias da atualidade evoluam. Então é um mercado que vai crescer, não esquecendo das grandes empresas que vão continuar existindo e vão aparecer também.

Mas deve-se notar uma diferença maior entre as pequenas e médias, principalmente nas marcenarias, em função de um momento econômico que deve continuar nos próximos anos.

Já a Europa vive um momento mais difícil, porque chegou-se num nível muito elevado, no qual muitos precisarão empobrecer. Para andar para frente será necessário dar alguns passos para trás. Não significa que a Europa ou a Itália não vai mais ser a detentora de tecnologia, porque isso não se perde da noite para o dia. Vai sofrer bastante com a concorrência dos países emergentes, em função de custos diferenciados e modo de vida, até porque o estilo de vida do europeu atingiu um patamar muito alto.



audioOuça o áudio (Roberto Cesari):







audioOuça o áudio (Marcos Antonio Muller):





Fonte: Henrique Puccini - Portal Moveleiro

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